Contra as tarifas bancárias, guardar dinheiro no colchão vira moda de novo
26 de Julho de 2010
Publicado por Imprensa
Com comentário do Prof. Damásio
A revolta com a cobrança de tarifas bancárias e o baixo rendimento da poupança têm levado uma parcela da população a optar por guardar o dinheiro em casa. Em vez de deixá-lo em uma caderneta de poupança ou mesmo na conta corrente, há pessoas que preferem investir na milenar “poupança no colchão”.
Mesmo sendo uma operação arriscada, tem quem opte correr o risco de um assalto do que ver o dinheiro se esvair pelos canais que atendem pelo nome de tarifa bancária. É o caso do gerente comercial Roberto (nome fictício por questão de segurança), 45 anos.
Faz três anos que ele só deixa no banco nada mais do que alguns poucos reais. O suficiente para o saldo não ficar negativo. O gerente tomou essa decisão depois de pôr na ponta do lápis o quanto ele estava tendo de pagar para usar o cartão de débito, de crédito e talão de cheques, além do custo de algumas operações bancárias.
“Os bancos pegam muito dinheiro da gente. Eles cobram tarifas e depois ninguém sabe explicar o motivo da cobrança e não devolvem o dinheiro”, reclama.
O gerente diz que não encerra completamente sua relação com o banco porque ele precisa de uma conta para a empresa depositar seu salário. Roberto recebe cerca de R$ 5 mil mensais. Assim que o dinheiro cai na conta, ele saca tudo e guarda em casa.
As notas ficam escondidas em um cofre cuidadosamente disfarçado. O gerente comercial sabe o risco que corre. Por isso, procura se cercar de todos os cuidados possíveis não somente em casa, mas quando está na rua.
Como ele não usa cartão nem talão de cheques, para onde vai carrega dinheiro e, dependendo do que vai comprar, a soma é alta. Há pouco tempo comprou um produto de quase R$ 2 mil. Levou tudo em dinheiro. “Não faço prestações. Só compro se tiver dinheiro para pagar à vista. Com isso, consigo desconto”, conta.
Quando viaja, o gerente leva o dinheiro junto. Ele jamais deixa quantias altas em casa. Essa prática fez com que Roberto criasse alguns esconderijos em suas roupas. Segundo ele, depois de passar 40 anos morando na cidade de São Paulo, parte dos quais como office boy, é quase natural criar meios de defesa contra as investidas dos assaltantes.
Mesmo quando vai ao banco para sacar o dinheiro, toma uma série de precauções, como fugir de aglomerações. O gerente evita sacar quando tem muita gente. Nesse caso, aumenta o risco de o volume de notas chamar a atenção de alguém com pensamentos nada cordiais.
Além disso, quando ele deixa o banco e outra pessoa sai junto, ele retorna para dentro da agência. “É preciso estar atento o tempo todo”, avisa.
Apesar de todos esses cuidados, o Delegado assistente da Delegacia Seccional de Polícia de Bauru, Márcio José Alves, desaconselha a prática. “De forma alguma deve-se guardar dinheiro em casa ou carregar altas quantias em espécie”, alerta.
Na opinião dele, ao mesmo tempo em que as pessoas fazem isso para evitar algumas circunstâncias, como fugir das tarifas bancárias, acaba criando outras, como o risco de um assalto. “É preciso ponderar o que vale a pena arriscar”, observa.
Segundo ele, carregar dinheiro e guardá-lo em casa é uma cultura difícil de mudar no brasileiro, apesar de todas as advertências e orientações em contrário.
Fonte: Jornal Cidade de Bauru
Data: 26/7/2010
Comentário do Prof. Damásio:
Conversando com o meu vizinho Jesuíno sobre o assunto, ele me advertiu:
– Dr. Damásio, não é preciso ser adivinhador para saber que o número de assaltos a residências vai aumentar. E vão até inventar colchão próprio para guardar dinheiro.
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26 de Julho de 2010 9:22
Olá Prof. Damásio.
Realmente as tarifas cobradas pelos bancos são muitas, além de serem exorbitantes.No geral quem mais sofre com isto é o poupador de baixa renda, enquanto que os maiores poupadores(média e alta renda) ficam isentos de praticamente todas as tarifas. Achei a observação do Jesuíno pertinente e profética, é o que deve acontecer.
Abraço.